Quem eu sou
A diferença entre funcionar por fora e não se reconhecer por dentro
Eu conheço essa diferença por experiência, não só por observação, porque durante muito tempo eu fui a mulher que cuidava, resolvia, sustentava e seguia em frente, mesmo quando já não sabia exatamente onde eu tinha ficado dentro da minha própria vida.
Talvez você também conheça essa sensação. Por fora, quase tudo continua funcionando, você cumpre o que precisa cumprir, cuida das pessoas, toma decisões, resolve problemas e encontra um jeito de seguir, mas, por dentro, alguma coisa parece não estar mais no lugar. E existe uma diferença enorme entre continuar funcionando e conseguir se reconhecer na vida que você está vivendo.
Minha trajetória
Aprendi cedo a cuidar de todo mundo. Demorei mais para aprender a me escutar.
Minha história atravessa experiências de não pertencimento desde muito cedo, mas também foi muito cedo que eu aprendi a cuidar. Aos 14 anos, eu já ocupava esse lugar de proteção, escuta e responsabilidade pelas pessoas ao meu redor, então, muito antes de me tornar mãe, eu já estava acostumada a perceber o que os outros precisavam, sustentar situações e encontrar uma maneira de seguir em frente, mesmo quando eu também precisava ser cuidada.
Quando me tornei mãe ainda jovem, cuidar não surgiu como uma dificuldade nova e, em nenhum momento, foi um limitador pra mim. Na verdade, aconteceu o contrário, porque eu já conhecia profundamente esse lugar e tudo o que tinha vivido antes tornou a maternidade muito mais natural.
O problema nunca foi cuidar ou amar. O problema foi ter aprendido a olhar para todo mundo antes de aprender a olhar para mim e, durante muito tempo, eu confundi força com carregar tudo calada. Vivi relações em que fui me diminuindo, me moldando pra ser amada e, pouco a pouco, duvidando da minha própria percepção.
Por fora, eu continuava funcionando, cuidando, resolvendo e seguindo em frente, mas, por dentro, havia partes de mim que eu já não conseguia reconhecer. Até que chegou um momento em que eu entendi que não precisava deixar de cuidar das pessoas e muito menos apagar a minha história, mas precisava voltar pra mim e aprender a existir dentro da vida que eu estava sustentando.
Foi quando parei de esperar que o outro mudasse e comecei a questionar o que eu permitia, as interpretações que repetia e o lugar que ocupava nas minhas próprias escolhas.
A Inteligência Emocional entrou na minha vida como reencontro. Não como fórmula pra controlar sentimentos.
Inteligência Emocional
Reencontro, não fórmula
Quando a Inteligência Emocional entrou na minha vida, ela não chegou trazendo uma fórmula mágica, uma lista de passos ou uma promessa de que eu nunca mais sentiria medo, culpa, insegurança ou qualquer emoção desconfortável. Ela chegou me ajudando a dar nome, linguagem e estrutura a coisas que eu já percebia, mas ainda não conseguia organizar.
Minha formação em Inteligência Emocional aprofundou esse processo e me ensinou a compreender as emoções como informação, reconhecer padrões e perceber que consciência só se transforma em mudança quando encontra uma decisão.
A Inteligência Emocional não me ensinou a sentir menos e também não me ensinou a controlar tudo o que acontecia dentro de mim. Ela me ensinou a me perceber melhor, a compreender o que minhas emoções estavam tentando me mostrar e a reconhecer os padrões que continuavam organizando minhas escolhas, mesmo quando racionalmente eu já sabia o que deveria fazer.
Por isso, pra mim, foi um reencontro, mas também foi uma decisão, porque me reencontrar exigiu que eu parasse de apenas reagir ao que acontecia e começasse a assumir uma posição mais consciente diante da minha própria vida.
Foi dessa experiência que nasceu uma das convicções que sustentam o meu trabalho hoje: muitas vezes, o que falta não é informação e nem mais uma resposta pronta. O que falta é perceber o padrão que continua fazendo você escolher, reagir e repetir da mesma maneira.
Fé
A fé não apagou a minha história. Ela me ensinou a atravessá-la sem transformar dor em identidade.
A minha fé cristã não é um detalhe separado da minha história e também não é alguma coisa que eu acrescento ao meu trabalho só porque parece bonito falar de propósito. Foi a minha fé que me sustentou quando eu ainda não conseguia compreender tudo o que estava vivendo e foi nela que encontrei força pra continuar sem precisar fingir que nada tinha acontecido.
Eu não acredito que atravessei cada fase apenas pela minha própria força, porque reconheço a presença de Deus na alegria que consegui preservar, na esperança que não perdi e na coragem que encontrei pra voltar pra mim.
A fé não apagou o que aconteceu, não mudou o passado e também não me ensinou a negar a dor. Ela me ensinou a atravessar a minha história sem permitir que aquilo que me feriu se transformasse na minha identidade.
É desse fundamento que nasce a forma como eu me relaciono com verdade, responsabilidade, discernimento, escolhas e esperança, porque acreditar em Deus, pra mim, nunca significou esperar passivamente que tudo mudasse. Significou encontrar força e direção pra assumir a responsabilidade pelas escolhas que ainda estavam nas minhas mãos.
Hoje
Minha história explica o meu olhar. O Método PQP organiza o caminho.
Hoje, sou especialista em Inteligência Emocional, com formação e aprofundamento nessa área, e sou também a criadora do Método PQP (Perceba, Questione, Progrida) e do MIEC, o Mapa de Inteligência Emocional e Comportamental.
A minha autoridade não vem apenas do que eu vivi, embora a minha história explique muito sobre a profundidade do meu olhar. Ela vem também da minha formação e da capacidade que desenvolvi de observar o comportamento humano, perceber padrões, conectar elementos que parecem separados e fazer perguntas que atravessam aquelas respostas automáticas que a gente repete tantas vezes sem perceber.
Eu não quero dizer quem você é, colocar você dentro de um rótulo ou entregar uma resposta pronta sobre o que deve fazer. O meu trabalho é ajudar você a perceber o que talvez ainda não tenha conseguido colocar lado a lado, porque, quando determinadas escolhas, emoções, reações e repetições começam a ser vistas juntas, aquilo que parecia confuso começa a fazer sentido.
Minha história explica o meu olhar, minha formação sustenta esse trabalho e o Método PQP organiza o caminho que transforma percepção em questionamento, questionamento em decisão e decisão em movimento.
Conhecer o Método PQPTalvez você já saiba o que precisa fazer. Mas consegue perceber o que ainda faz você continuar repetindo?
O MIEC foi criado pra ajudar você a colocar lado a lado padrões, escolhas, contextos e tensões que normalmente aparecem separados, não pra dizer quem você é, mas pra mostrar coisas que talvez você ainda não tivesse conseguido enxergar dessa forma.